A prova para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de motociclistas deverá ser mais rigorosa ainda neste primeiro semestre de 2012. A informação é do diretor-técnico do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Horácio Melo.
Segundo o órgão, cerca de 65% dos candidatos são aprovados em Goiânia, enquanto apenas 32% conseguem a CNH para carro. Isso, segundo o diretor-técnico, mostra a facilidade de conseguir a carteira para moto sem realmente preparar o candidato para o trânsito.
“Essa prova precisa ser modificada imediatamente. Nós estamos acreditando que já para este semestre teremos a edição da nova resolução, que modificará a prova”, explica Horácio Melo.
Segundo ele, a prova passará a ter situações semelhantes com a realidade do trânsito na cidade: “O Detran já está preparado para construir essa nova pista de prova, onde teremos caixa de brita, poça d’água, enfim serão cobrados outros elementos que já deveriam ser cobrados para que esses motociclistas fiquem mais preparados. O que nós não podemos é deixar o motociclista circular nas ruas como aprendiz, porque o risco seria muito grande, até de um acidente fatal”, ressalta.
O gerente de políticas para o trânsito da Secretaria de Cidades, Renato Mundim, também defende uma mudança na hora de tirar a habilitação: “Algumas situações que são vivenciadas no dia a dia e que não são abordadas durante o treinamento têm de ser melhoradas. Como é o caso de chuva, terra, questões de distância. Então, a prova precisa ser aperfeiçoada neste sentido”.
Avaliação
A prova para tirar a carteira de habilitação categoria A, para conduzir motos, é feita em poucos minutos. O candidato precisa cumprir um pequeno circuito pintado no chão, passar pelos cones e sobre uma plataforma com 25 centímetros de largura.
Para realizarem o percurso avaliativo, os alunos precisam também passar por 20 aulas práticas. Cada aula tem 45 minutos. Eles treinam em pistas semelhantes às do Detran e no treinamento é exigido dos candidatos o mesmo que na prova, ou seja, eles fazem todo o percurso em primeira marcha, não precisam dar seta e nem saem às ruas para encarar o trânsito de verdade.
Porém, o instrutor Edildo de Oliveira considera a preparação suficiente: “Nessas 20 aulas, o aluno é preparado e está apto para tirar a habilitação”. Mas nas ruas a opinião é diferente: “É preciso que o condutor tenha mais atenção em relação às leis de trânsito e não somente ao percurso que deverá fazer”, diz um motociclista.
Acidentes
Segundo dados do Detran, somente no ano passado foram aproximadamente dez mil acidentes envolvendo motociclistas no Estado de Goiás. Quando não são vítimas fatais, muitos adquirem sequelas graves para toda a vida.
O mecânico Erondes Ferreira da Silva, de 25 anos, há oito meses tenta recuperar os movimentos do corpo e a vida normal. Em um acidente, ele teve uma lesão cervical e admite que errou na forma de conduzir a moto.“Foi uma desatenção minha, porque buzinaram, eu olhei para trás e colidi no carro da frente”, conta.
O auxiliar de costura Michael Alex também se recupera de um acidente de moto e acha que o treinamento dos motociclistas precisa melhorar: “As aulas que eu pegava eram todas em ambientes fechados como estacionamentos e galpões, eu não pegava aula em BR’s, por exemplo”, diz.
G1 - Prova para tirar CNH de motociclistas deverá ser mais rígida, diz Detran-GO - notícias em Goiás
Trânsito Escola
Certo é que os exames dos Detrans quanto às avaliações nas provas prática de direção não condizem com a realidade nas vias brasileiras:
1) Viatura policial estacionada sobre calçada – só é permitido quando em serviço:
Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes disposições:
(…)
c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência;
Art. 222. Deixar de manter ligado, nas situações de atendimento de emergência, o sistema de iluminação vermelha intermitente dos veículos de polícia, de socorro de incêndio e salvamento, de fiscalização de trânsito e das ambulâncias, ainda que parados:
Infração - média; Penalidade - multa.
2) Carro de oficial do TCE estacionado sobre a faixa de pedestre:
Art. 181. Estacionar o veículo:
VIII - no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração - grave; Penalidade - multa; Medida administrativa - remoção do veículo;
A questão dos acidentes de trânsito se devem, primordialmente, a falta de educação – civilidade – entre os usuários de vias terrestres.
É questão comportamental da cultura brasileira – que é um dos segmentos da sociedade – o agir sob a égide “leve vantagem em tudo”.
Sabemos que a nossa sociedade, antes do Código de Trânsito Brasileiro, que data de 1997, nunca teve uma educação, conscientização quanto à forma correta de se comportar diante do trânsito, seja pedestre, ciclista e condutores motorizados. Se fosse mentira não teríamos anualmente mais de 30.000 (trinta mil) acidentes de trânsito no Brasil e estar no quarto lugar entre os países que mais matam e acidentam pessoas no trânsito. Não veríamos, também, condutores de ônibus dirigindo de forma perigosa e transportando seres humanos como gado, pedestres que se lançam nas vias públicas como verdadeiros Kamikazes enfurecidos, as ultrapassagens forçadas tendo dentro do veículo o condutor com os próprios familiares numa atitude de suicídio coletivo. Eu poderia dissertar vários exemplos, mas ao meu ver já temos nos noticiários diários.
A nova filosofia é não matar, não morrer. Pelos hábitos atuais, e estes, oriundos de um passado sombrio na aquisição de habilitação, mas dos quais ainda persistem, ainda se verá corpos nos asfaltos como se fossem corpos provenientes de campos de guerras militares.
A ideia de dificultar, para se adequar a realidade da vida, a prova de direção é bem-vinda, contudo, o mais importante de tudo, é educar pra civilizar o atual trânsito bárbaro brasileiro.
