
Só com as renúncias da Cide e do IPI sobre carros particulares, o Governo Federal abriu mão de R$ 32,5 bilhões. Com este valor seria possível construir 150 km de metrô ou 1500 km de BRT. Como resultado, frota de carros de passeios mais que dobrou, assim como os gastos com o trânsito e a poluição.
Trânsito Escola - Vinte e dois de setembro é o Dia Mundial Sem Carro e é comemorado desde 1987, onde teve início na França. A proposta foi de repensar sobre o uso de automóveis, principalmente os veículos de passeio – o termo não é mais usado na terminologia empregada no CTB –, como meio de transporte versus poluição ambiental.
O objetivo da comemoração “Car Free Day” e que seja um manifesto contra a poluição ambiental produzida pelos automotores movidos a combustível fóssil. A poluição ambiental produzida pelos automotores causam várias doenças, que vão desde pulmonar até cardíaca, além disto, os gases lançados na atmosfera terrestres contribuem para a chuva ácida, que destrói plantações e vidas marinhas. Desde 2000, países como Espanha, Itália, Rússia e Inglaterra já participam dessa celebração
No Brasil, o Dia Mundial Sem Carro existe desde 2001, sendo que em São Paulo - cidade com a maior frota de veículos do País - a data passou a ser comemorada oficialmente em 2005.
O Dia Mundial sem Carro propõe uma nova mentalidade quanto à Mobilidade Urbana, que deve ter a preocupação ambiental e da vida biológica de todos os seres vivos. Todo planejamento econômico de um país deve se basear no bem-estar físico e psíquico dos seres humanos, do meio ambiente e da vida biológica como um todo. A mobilidade urbana engloba planejamentos capazes de proporcionar qualidade de vida, os planejamentos devem objetivar redução da poluição atmosférica com uso de tecnologias automotivas não poluidoras, eficiência e expansão nos transportes coletivos como trens e metrôs entre outros, como a bicicleta.
O transporte coletivo é um dos meios mais eficientes de transporte quando se abordam redução de tempo de deslocamento, redução de poluição atmosférica e quantidade de pessoas a serem transportadas. Nos veículos particulares, o problema, apesar das tecnologias antipoluidoras, está no prejuízo inerente ao transporte unitário (particular). Quanto mais carros nas vias públicas, maior o tempo que se perde nos deslocamentos e, consequentemente, aumento de estresse. A economia também é prejudicada, pois o tempo perdido nos congestionamentos de trânsito ocasionam desgastes físico e mental nos trabalhadores, a pista de rolamento, pelo volume de carros, sofre desgaste mais rapidamente tendo que ser recapeada com mais frequência.
Atualmente há movimentos sociais mundiais quanto incentivos ao uso de bicicleta. O uso de bicicleta pode ser feito por qualquer pessoa que tenha habilidade de pedalar. Não polui, ocupa pouco espaço, em comparação o carro, e pode proporcionar saúde ao ciclista. A bicicleta pode ser usada tanto para pequenos transportes de carga quanto nos deslocamentos diversos nas vias públicas. O empecilho aos amantes de bicicleta e a mobilidade urbana por este meio de transporte se deve aos poucos investimentos em infraestrutura ciclística no Brasil. Quando há locais para os deslocamentos de ciclistas, muitas das ciclofaixas e ciclovias não oferecem segurança e a manutenção é precária. Não se pode esquecer que no Brasil há, infelizmente, a má educação tanto de ciclistas quanto de condutores de automotivos nos quais desrespeitam as leis de trânsito. Apesar dos incentivos de pedalar, não podemos esquecer que a quantidade de automotores particulares nas vias públicas inviabiliza o interesse de muitos brasileiros devido aos escapamentos de fumaça negra nos automotores, que transitam livremente nas vias públicas – neste aspecto os órgãos de trânsito são ineficientes em coibir a permanência destes veículos. Há também poucas ou quase nenhuma localidade para se guardar a bicicleta fazendo com que os ciclistas prendam suas bicicletas nos postes – em algumas circunstâncias as bicicletas atrapalham o deslocamento de pedestres. Enfim, os gestores públicos devem enfrentar estes problemas com seriedade e eficiência.
Na contramão da mobilidade urbana Dia Mundial se Carro
Padrões insustentáveis de produção e consumo
Apesar das comemorações do Dia Mundial Sem Carro, o Brasil caminha na contramão de direção das comemorações. O Governo Federal incentivou à produção de carros, a redução de IPI também incentivo à venda de veículos particulares. Na contramão da sustentabilidade mais carros estão nas vias públicas, que já não comportam automotores particulares. Na época, O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou investimentos de R$ 1,2 bilhão para montadoras, redução de IPI para carros de até mil cilindradas até quase zero, condições de compra de ônibus e caminhões com juros de 7,7% para 5,5% ao ano e o prazo de financiamento dilatado de 96 meses para 120 meses. A ideia do pacote era de alavancar a economia ao estimular o consumo.
Confira dados sobre mobilidade urbana em algumas capitais do Brasil
São Paulo (SP)
Frota de automóveis em 2003: 3.298.215
Frota de automóveis em 2013: 4.881.359
Frota de ônibus em 2003: 28.171
Frota de ônibus em 2013: 40.898
Extensão das linhas de metrô em 2012: 65,3km
Número médio de usuários de metrô por dia em 2012: 3,7 milhões
Extensão das linhas de trem em 2011: 260,8km
Número médio de usuários de trem por dia em 2011: 2.3 milhões
Rio de Janeiro (RJ)
Frota de automóveis em 2003: 1.232.978
Frota de automóveis em 2013: 1.776.255
Frota de ônibus em 2003: 10.298
Frota de ônibus em 2013: 16.820
Extensão das linhas de metrô em 2013: 41km
Número médio de usuários de metrô por dia em 2013: 640 mil
Extensão das linhas de trem em 2010: 270km
Número médio de usuários de trem por dia em 2010: 540 mil
Porto Alegre (RS)
Frota de automóveis em 2003: 396.783
Frota de automóveis em 2013: 557.265
Frota de ônibus em 2003: 3177
Frota de ônibus em 2013: 4732
Extensão das linhas de trem em 2013: 39
Número médio de usuários de trem por dia em 2013: 173 mil
Brasília (DF)
Frota de automóveis em 2003: 557.660
Frota de automóveis em 2013: 1.062.047
Frota de ônibus em 2003: 5995
Frota de ônibus em 2013: 9038
Extensão das linhas de metrô em 2013: 42km
Número médio de usuários de metrô por dia em 2013: 130 mil
Recife (PE)
Frota de automóveis em 2003: 226.744
Frota de automóveis em 2013: 363.594
Frota de ônibus em 2003: 2336
Frota de ônibus em 2013: 4150
Extensão das linhas de metrô em 2013: 39,5,km
Número médio de usuários de metrô por dia em 2013: 225 mil
Manaus (AM)
Frota de automóveis em 2003: 124.840
Frota de automóveis em 2013: 297.473
Frota de ônibus em 2003: 3.179
Frota de ônibus em 2013: 7.398
Fonte: G1
O transporte coletivo no Brasil
Enquanto isso, o transporte coletivo no Brasil é um dos piores do mundo quando se aborda mobilidade urbana com qualidade. Não se pode esquecer que mobilidade urbana não é só o ir e vir, o se deslocar, mas ter qualidade de vida enquanto se desloca nas vias públicas seja a pé ou não. A qualidade de vida nas vias públicas engloba segurança viária, seja através de sinalização, pista de rolamento, meio de transporte, fiscalização. Se há engarrafamentos constantes, por causa do número crescente de automotores particulares nas vias, que não comportam mais o volume destes veículos – e mesmo que comportasse, ainda assim há prejuízos, no caso ambiental pela poluição atmosférica – não se pode dizer que há sustentabilidade na mobilidade urbana.
As políticas de governo devem se ater às mudanças mundiais, e o Brasil tem que acompanhá-las sob condição de se manter retrógrado. Os incentivos devem ser, como em qualquer país onde a mobilidade urbana é levada a sério, para os transportes coletivos, principalmente sobre trilhos. O Brasil tem potencial também para o transporte aquático com suas Bacias Hidrográficas, canais etc.
Em São Paulo, a despoluição do Rio Tietê serviria para o deslocamento da população, a mobilidade urbana por este tipo de transporte beneficiaria tanto a população quanto a economia local, pois encurtaria o tempo perdido nos deslocamentos e proporcionaria qualidade de vida cujos resultados seriam a diminuição de doenças respiratórias. Neste aspecto, os gestores públicos, municipal e estatual, devem pensar na administração gerencialista, e não patrimonialista. Da mesma forma a gestão, do administrador federal deve ser gerencial e não patrimonialista.
O Brasil pode comemorar satisfatoriamente o Dia Sem Carro?
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