As imagens do atropelamento da costureira Maria Edijane de Souza Gonçalves, grávida de cinco meses, por um motorista que havia bebido, na noite de anteontem, em Lajeado, Zona Leste, já foram selecionadas pela equipe responsável pela reciclagem de motoristas infratores do Detran –SP.
Os coordenadores do curso costumam usar essas imagens para sensibilizar e conscientizar os alunos de que uma infração de trânsito muitas vezes pode tirar vidas humanas. Nas aulas são mostradas fotografias de corpos mutilados e carros destroçados. No caso da costureira, por sorte, ela e o bebê sobreviveram, mas as imagens do acidente são fortes.
O curso de reciclagem é ministrado para motoristas que se envolveram em acidentes graves e para os quais tenham contribuído, como no caso do motorista que atropelou Maria Edijane. É destinado também a condutores que tenham obtido 20 pontos ou mais na carteira de habilitação em um ano. Em 2012, 189.776 motoristas foram notificados por suspensão da carteira apenas na capital.
“A ideia é dar uma oportunidade para esses motoristas pensarem nas consequências que uma simples infração pode causar”, disse o coordenador do curso, o cabo da Polícia Militar José Francisco do Nascimento.
As aulas devem ser feitas obrigatoriamente no Detran, para quem foi condenado judicialmente por delito de trânsito. Mas podem ser cursadas presencialmente ou à distância num CFC (Centro de Formação de Condutores) quando o motorista teve a habilitação suspensa por pontuação. No Detran, o curso é gratuito e nos CFCs custa de R$ 120 a R$ 170.
A carga horária é de 30 horas, divididas em aulas de legislação de trânsito (12 horas), direção defensiva (oito horas), relacionamento interpessoal (seis horas) e noções de primeiros socorros (quatro horas). “O número de alunos tem aumentado cerca de 20% ao ano”, disse Nascimento. “Por outro lado, a reincidência é de 1%.”
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