Na última sexta-feira (7) um motociclista morreu após ter o pescoço cortado por uma linha de cerol, no bairro da Boca do Rio, em Salvador. De acordo com o instrutor de pilotagem de motos Oswaldo Meron Neves, o acidente podia ter sido evitado caso a vítima usasse um corta-pipa ou aparador de linha, uma espécie de antena, que funciona como equipamento de segurança e protege os motociclistas em situações como essa.
Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o uso do corta-pipa é obrigatório para todos os motociclistas do país desde agosto de 2012. Mas na Bahia, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a obrigação é só para mototáxis e motofretes, ou seja, aqueles que transportam pessoas ou mercadorias nas motos.
O corta-pipa é instalado perto de um dos retrovisores da moto, fica na frente do rosto do motociclista, protegendo o condutor das linhas de pipa com cerol. "É feita uma resistência. Eu estou em velocidade, essa linha está coberta com cerol, o que já enfraquece ela, porque é uma competição, ela não pode ter muita resistência. No caso do gancho [que fica na ponta da antena] a linha vai partir. É bem melhor do que estar sem a proteção do corta-pipa e atingir o rosto ou pescoço do corta-pipa", explica o instrutor.
A antena tem cerca de 60 centímetros e fica na altura do pescoço do motociclista. O instrutor de autoescola Oswaldo ressalta que outros equipamentos de segurança também são importantes para evitar acidentes com motocicletas. "O grande problema que nós observamos é a vaidade do motociclista, que ainda não tem a interpretação de que é um equipamento de proteção individual, como o capacete. Acho mais interessante até deixar a moto feia do que ficar com aquelas terríveis cicatrizes de 50 a 100 pontos, se sobreviver", observa.
Oswaldo Meron explica que o corta-pipa pode ser instalado nos dois lados da moto ou apenas em um deles. "Uma sugestão é que ele [motociclista] coloque a bandeirinha do clube dele, ou do time, não tem problema nenhum", indica.
Segundo o instrutor de moto, há uma resistência dos condutores desses veículos em usar os equipamentos de segurança em geral, como o capacete, luvas e jaqueta. "No momento em que um motociclista cai, só tem mesmo o capacete como proteção", destaca.
Investigação criminal
Segundo a Polícia Militar, a apreensão de cerol não é realizada porque não há legislação sobre o assunto. A polícia diz ainda que quando acontece um crime com cerol é aberto um inquérito para que o caso seja investigado.
Na Câmara Municipal de Salvador também não tramita nenhum projeto de lei que prevê uma apreensão ou fiscalização em torno do uso das linhas com cerol.
G1 - Instrutor de autoescola orienta motociclistas sobre uso de corta-pipa - notÃcias em Bahia
