Carli Filho deve ir a júri popular no ano que vem, diz advogado de Christiane
Gilmar morreu em um acidente no qual está envolvido o ex-deputado Carli Filho; Christiane Yared quer mudanças na lei
Há dois anos e seis meses, Christiane Yared entrou em uma verdadeira batalha para que a morte do filho não tenha sido em vão. Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e o amigo dele, Carlos Murilo de Almeida, de 20, morreram em um acidente de trânsito em Curitiba, na madrugada de 7 de maio de 2009. O carro onde eles estavam, um Honda Fit, foi atingido pelo carro do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho.
Christiane Yared faz alerta sobre os crimes de trânsito no Brasil
Agora, as famílias dos dois jovens que morreram no acidente lutam para que o ex-parlamentar seja condenado por homicídio doloso. “O processo acontece há dois anos e meio e ainda não avançou porque existem brechas na lei. Os advogados dele vão apelando e encaixando recurso”, diz Christiane.
Segundo o advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, Carli Filho deve ir a júri popular no próximo ano. Eles aguardam apenas o julgamento de um recurso da defesa, que deve ser indeferido, segundo acredita o advogado.
Sensação de impunidade
Para a mãe de Gilmar, mesmo demonstrando confiança em seu advogado, a espera é angustiante. “É uma sensação de impunidade enorme. A pessoa continua vivendo como se nada tivesse acontecido. Você vê que não tem o que fazer, o país fica lavado com sangue e a gente não consegue mudança”, diz.
Assad explica que Carli Filho deve ser julgado por dolo eventual – quando não há intenção de matar, mas se assume o risco. Segundo ele, existem vários componentes que comprovam isso, além da embriaguez do ex-parlamentar. No dia do acidente, ele havia saído de um restaurante onde junto com amigos tinha bebido quatro garrafas de vinho.
Outro ponto que mostra a responsabilidade de Carli Filho foi “a teimosia em não aceitar ficar fora da direção depois que saiu do restaurante. Os manobristas sugeriram que ele deixasse o carro ali e voltasse para buscar no outro dia, mas ele não aceitou”. Assad aponta também que ele dirigia em alta velocidade. “Era 167 km/h, com desvio padrão de mais seis, que dá entre 167 e 173 km/h. Isso foi comprovado pela perícia oficial”, comenta o especialista.
“Decolagem”
Além disso, na região onde ele estava era um aclive, próximo de onde ele [Carli Filho] mora. Ali você sobe, sobe, deixa de subir e começa a descer. A decolagem foi deliberada, não foi por acaso. E é decolagem, porque quem anda a essa velocidade naquela rua, quer decolar”, diz ainda o advogado. E, por fim, ele diz que Carli Filho “estava com 130 pontos na carteira, não poderia estar dirigindo”, completa.
Segundo Assad, ele deve ir a júri popular não somente pelo fato de dirigir sob o efeito de bebida alcóolica, mas porque, a soma desses fatores, o enquadra “em uma situação típica de dolo eventual mesmo”.
A morte do filho, apesar de dolorosa, despertou em Christiane um desejo de ajudar pessoas que vivem o mesmo drama que ela. “Estou atendendo pessoas que perderam filhos vítimas de motoristas embriagados, acabei montando um núcleo de apoio”, conta. A partir desse núcleo, ela faz trabalhos de conscientização e educação no trânsito e pede mudanças na legislação de trânsito.
Instituto
O instituto defende cinco bandeiras para tentar acabar com as mortes no trânsito. “Fiscalização permanente ostensiva nas ruas; tolerância zero para combinação álcool e direção; educação para o trânsito em todos os níveis de ensino; orientação às famílias vítimas acidentes de trânsito; e agravamento das penas para os crimes de trânsito com vítimas fatais”.
Christiane conta que muitas famílias a procuram para dividir a dor, pedir ajuda e não deixar que a morte dos seus entes queridos seja em vão. “No momento, estamos atendendo três famílias que tiveram dois casos em situações diferentes. Os dois casos foram ocasionados por pessoas embriagadas. Em um deles a família perdeu uma filha de 17 e um filho de 19; outra tinha perdido a filha de 14 e agora há um mês perdeu o filho de 19. Em outro caso perderam um em 2000 e outro em 2008”, conta.
“O que estamos vendo é que o raio cai sim duas vezes no mesmo lugar. E a lei propicia que pessoas embriagadas possam dirigir. A pessoa pega em uma blitz não deixa de dirigir, ela paga fiança e fica por isso mesmo”, diz Christiane. “Nós temos que viver com a dor da perda, com a tristeza, a saudade, e lutar para não perdermos outro filho”, completa.
Perdas
Ela diz anda que os casos destroem famílias. “Temos visto isso diariamente. É uma cruel realidade no país, a mãe que perde um filho não quer mais viver. Ela não toma banho, não toma conta da casa, não quer mais que o marido toque nela... O marido perde duas vezes, perde o filho e a esposa. O irmão que sobra quer ser o que morreu”, conta Christiane.
Hoje em dia, além de pedir uma legislação mais rigorosa, ela diz ainda que é preciso conscientização. “Fazemos um trabalho de prevenção, de educação. Essa é a base para a mudança, a educação”, afirma.
FONTE: BAND
TRÂNSITO ESCOLA
Infelizmente, no Brasil, as leis existem, mas não são colocadas na prática como deviam ser. Inúmeros processos aguardam julgamento e, os advogados, habilidosamente, agem nas falhas da justiça brasileira. O caso do jogador Edmundo é um deles. Teve o processo arquivado porque prescreveu. Assim como o ex-jogador centenas de outros motoristas que cometeram acidentes de trânsito que resultaram em mortes ficam rindo, literalmente, da justiça brasileira. Aos estrangeiros resta à indignação de ver um povo pacifico trabalhador e amigável ver um país tomado por impunidades.
Às famílias que perderam amigos e parentes somente o ombro amigo para consolar nos dias de solidão e tristeza.
