Era uma vez...
João que queria ser ator. Perderá a namorada de cinco anos porque não queria esperar a realização do sonho do rapaz, ela queria logo estabilidade e casar. Carlos sentia vontade de passar por cima de todos os idosos uma vez que tivera as férias canceladas porque destratou um idoso na frente dos pais.
Pessoas comuns que percorrem a s próprias vidas com ideias conturbadas de si e das demais pessoas por acontecimentos que mexe com o emocional, mas precisam saber discernir sobre seus atos, circunstâncias e chegar à luz do bom senso.
Numa festa anima Carlos e João se conhecem. Cada qual conta suas frustrações graças à miraculosa bebida alcoólica que deixa as pessoas relaxadas, ora revoltadas, ou seja, liberam suas emoções porque o superego está descontrolado, sem forças para tolher as palavras e ações nos mais recônditos da alma.
Enaltecidos pela bebida inebriante começam a soltar suas mágoas mais profundas cujo acontecimento não se daria sem a ingestão da bebida. Angustiado e com baixa estima João se sente traído pela ex-namorada e a acha oportunista, apressada. Calor por sua vez, se acha injustiçado pelo “castigo” dos pais e culpa os idosos “é tudo uma velhacaria que só sabe estragar a vida dos jovens; são todos ciumentos”.
Carlos estando motorizado oferece carona ao João. Juntos varam à noite em alta velocidade como desejosos de se livrarem da carga emocional angustiante em seus corações. Não há senso de direção, cuidado, responsabilidade, mas apenas o desejo de se livrarem das emoções dolorosas. À primeira impressão em suas mentes é o desejo de vingança, depois arrependimento. Eros e Tânatus se digladiam insensatamente nos corações e mentes dos jovens. Perdidos em conjunturas conturbadas se deixam dominar pelas emoções e juntos sentem a “liberdade” que o carro dá, o “poder” que possuem e a “segurança” que lhes propõem.
Mas a vida segue seu curso normal, as leis físicas se aplicam e não se submetem aos caprichos dos mortais humanos, os acontecimentos surgem sem o convite o mando de qualquer ser humano. Fatalidade? Jovens que correm e são impelidos pelos suas emoções descontroladas, confusas diante de uma sociedade que prevalece o homem invencível, mas que no fundo sabem muitíssimo bem que um leve balançar do solo os amedronta. Assim como os ensinos valorizam a razão sem o conceito de sensato de verificação interior, isto é, cobra-se demasiadamente das demais pessoas sem, contudo, fazerem introspecções a respeito dos próprios erros. A culpa é sempre dos demais indivíduos. O carro, majestoso, e poderoso artefato da inteligência humana passam a ser o elo de possibilidades a soltar, descarregar as pressões da vida.
Dirigir não é lazer!
Uma obra fictícia, mas que serve muitíssimo bem para ilustrar o quanto é precário os ensinamentos e valores nas sociedades em geral. Vê-se o imediatismo, as oportunidades pessoais, mas jamais o conceito de ser e saber se colocar no lugar das demais pessoas: empatia. O apego exagerado aos valores transitórios como consumismo, idolatrias, “fraco” ou “forte”, “sucedido” ou “derrotado” levam milhares de pessoas a atos translouco, imprudentes, depressivos.
Dirigir passou a ser “fuga”, “STATUS”, “corajoso”, “atrevido”. Palavras que servem muitíssimo bem aos comerciais que exploram os sonhos, as fraquezas do ser mortal. Ensinar valores de superação sem raiva, derrota sem ser fim, mas novo começo com mais experiência, são soluções pacificadoras e profiláticas à sociedade.
