O agente de trânsito acusado de enviar uma cantada via mensagem SMS a uma motorista que teve a carteira de habilitação (CNH) apreendida em uma blitz em Porto Alegre (RS) foi demitido na manhã desta sexta-feira (14), segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Segundo a mulher, o agente enviou um torpedo a seu telefone celular após ter acesso ao número de telefone durante uma barreira da Balada Segura, que fiscaliza o cumprimento da Lei Seca na capital gaúcha.
"Peguei o numero teu enquanto vc disse pro colega qdo ele pediu teu endereço. So quero que digas se posso saber teu MSN, facebook, Orkut algo do tipo p/ conversarmos melhor. Me dá um retorno se possivel, sou o rapaz quem fez os testes do bafometro em vcs!", dizia a mensagem. Após a abertura de procedimento administrativo, a direção da empresa decidiu por desligar o agente de seus quadros de funcionários.
Em nota, a EPTC afirma que "a atitude do agente foi incompatível com os procedimentos exigidos e adotados diariamente na fiscalização do trânsito". O diretor da empresa, Vanderlei Cappellari foi convocado a explicar o episódio na próxima quarta-feira, no plenário da Câmara de Vereadores.
Segundo o vereador Pedro Ruas (Psol), presidente da Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab) da Câmara e responsável pelo pedido de convocação, a demissão do servidor não soluciona o problema. "(A demissão) não resolve, nem é nossa intenção. Nunca foi intenção da Câmara que ele fosse demitido, essa é uma questão interna", afirmou.
"Isso é um problema trabalhista, eu lamento pelo rapaz (agente). Nós não chamamos o rapaz lá na Câmara, nós chamamos a EPTC, através de seu presidente. A relação da empresa com seu o servidor é uma questão a ser examinada pelo sindicato da categoria", disse. "O que a Câmara examina é que nós temos uma mortandade no trânsito, nós temos campanhas sérias e organizadas de prevenção de acidentes de trânsito. Então o órgão fiscalizador tem que ter um nível de comportamento inatacável", completou.
O vereador afirmou ainda que o episódio trouxe à tona a necessidade de criação de órgãos internos de fiscalização. "Um dado, por exemplo, que chama a atenção. Como é que a EPTC - ao contrário de outros órgãos dessa natureza, inclusive municipais - não tem corregedoria? É muito raro um órgão de fiscalização não ter corregedoria. Quem fiscaliza o fiscal?", questionou.
Para Pedro Ruas, é grave a acusação de que o agente de trânsito teve acesso ao número de telefone da motorista fiscalizada através dos dados fornecidos durante a blitz. "Me chama muito a atenção, particularmente, como é que a pessoa tem acesso a dados que, em tese, seriam sigilosos? É como o sigilo bancário, telefônico ou fiscal", questionou. "É uma situação que potencializa comportamentos antissociais, tira a confiança da população nas campanhas", concluiu.
FONTE: JORNAL DO BRASIL
TRÂNSITO ESCOLA
Os dados sigilosos não podem estar em evidência para qualquer pessoa. Quanto à cantada do agente, e se fosse pessoalmente?
Por ser um agente público é proibido tal investida, mas por outro lado é um ser humano como qualquer outro. O que importa sim é a atitude final, isto é, se o agente depois da cantada não vá “aliviar” nas multas a companheira. Claro que tudo em seu tempo e momento, isto é, dar em cima de mulher casada já configura desrespeito.
