Rio - O ex-subsecretário estadual de Governo do Rio e ex-coordenador da Operação Lei Seca, Alexandre Felipe Vieira Mendes, teve seu pedido de prisão preventiva revogado. A informação foi confirmada nesta terça-feira pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). De acordo com o TJ, o advogado de defesa de Alexandre Felipe conseguiu um habeas corpus no plantão judiciário do último sábado, emitido pelo desembargador Roberto Távora.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por atropelar quatro pessoas, matando uma delas, no dia 25 de agosto, em Niterói. Desde sexta-feira, ele vinha sendo procurado, sem sucesso, em endereços seus, de parentes e amigos. O MP acusa Alexandre de homicídio doloso (com intenção), lesão corporal e omissão de socorro.
Alexandre Felipe é acusado de atropelar quatro pessoas em Niterói | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Conforme a denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Cláudio Calo, o ex-subsecretário dirigia um Pajero em zigue-zague, quando atropelou Silvana Braga de Souza e seus dois filhos, de 5 e 2 anos, em Itaipu, Região Oceânica de Niterói. Alexandre também atropelou Ermínio Costa Pereira, 58, que morreu de politraumatismo e traumatismo craniano. Alexandre ainda fugiu sem prestar socorro às vítimas.
A perícia e depoimentos apontaram que ele dirigia em alta velocidade e sob efeito de álcool. O subsecretário se apresentou à 81ª DP (Itaipu) só no dia seguinte aos atropelamentos, após quase 15 horas, e confessou ter bebido um pouco de vinho antes de ter atropelado Ermínio. No depoimento prestado, o ex-coordenador da Lei Seca afirmou que “não sabia” se havia atingido outras pessoas. Se condenado, Alexandre Felipe poderá cumprir de três a até 30 anos de prisão.
“De acordo com as provas testemunhal, documental e pericial, assim como o depoimento do denunciado, chega-se à conclusão de que os crimes foram cometidos de forma dolosa (dolo eventual), ou seja, quando o condutor assume o risco de causar o resultado, pois o denunciado previamente ingeriu bebida alcoólica, conduzia em zigue-zague e em velocidade incompatível”, afirmou em nota o promotor Cláudio Calo.
O MP determinou, ainda, a instauração de inquérito policial na 81ª DP para apurar a prática de crimes de tráfico de influência e favorecimento pessoal por parte de pessoas próximas ao denunciado na época do acidente.
Depoimento de vítima
Uma das vítimas do atropelamento cometido pelo então subsecretário, Silvana Braga de Souza, de 30 anos, relatou o drama do atropelamento ao delegado. A vítima reafirmou que o carro do ex-subsecretário estava em alta velocidade e em zig-zag e que Alexandre não prestou socorro. "Quero que ele pague pelo que fez de alguma forma", exigiu.
Atropelada por Alexandre, Silvana, chegou a desmaiar e sente dores no corpo | Foto: Agência O Dia
Ao ser atingida pelo veículo, ela desmaiou e bateu com a cabeça no chão. "Quando acordei, achei que meu filho estava na ferragem. Só vi o mais velho. Escutei o Gabriel pedindo socorro gritando desesperado. Tirei força não sei da onde para ajudá-lo. Acho que foi amor de mãe", disse Silvana, que retirou a criança de dentro do carrinho, que ficou destruído com o impacto.
FONTE: G1
TRÂNSITO ESCOLA
Não há muito o que falar uma vez que ele mesmo disse que tinha consumido pouquíssimo álcool antes do acidente.
É triste saber que quem fiscalizava a Lei Seca acabou infringindo-a. À dor dos familiares resta solidariedade e compaixão.
