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Rio - A volta de Danilo (Cauã Reymond) à ‘Passione’ traz cenas fortes para retratar o universo dramático das drogas. Desde sua aparição, quando foi achado na Cracolândia em um estado deprimente pelo tio Gerson (Marcello Antony), a proposta é que o
OBS.: comentários do blogueiro no final da matéria
personagem exiba todo o sofrimento pelo qual passa um viciado em crack. É a forma encontrada pelo autor Silvio de Abreu para mostrar uma realidade que atinge a cada dia mais pessoas.Mas será que uma novela precisa apresentar uma realidade tão próxima que muitos, às vezes, não querem enxergar? De um lado, estão os especialistas que defendem veemente a divulgação do problema por todos os meios de comunicação. “A abordagem de mostrar a realidade e a dificuldade que as pessoas têm de se livrar do vício e as consequências para a vida delas é o papel que a mídia tem que fazer sempre. Não há distinção de classe social, sexo ou instrução, o crack acaba nivelando todos por baixo, do ponto de vista humano”, afirma o psiquiatra Jairo Werner.
Do outro lado está o público que se assusta com este tipo de cena. A empregada doméstica Wanda Viana acredita que só desta forma a população pode ver o que as drogas são capazes de fazer. “Fiquei chocada com a cena. Um cara que tem dinheiro, profissão e acabou como um mendigo? Ainda bem que o tio ajudou. Tem que mostrar porque só assim os pais tomam providência”, acredita. Já a dona de casa Eglane Nunes de Almeida acha que novela tem que ser o momento para relaxar. “Você toma café, almoça e janta com desgraça, é demais. Tem criança assistindo.Esse tipo de assunto deve ser abordado em programas como o ‘Profissão Repórter’.”
A questão do público infantil assistir a imagens tão pesadas é uma polêmica antiga. “Acho que a criança não tem que estar acordada esta hora e, se estiver, novela não é programa para elas. Esta abordagem do crack é válida e não vejo as cenas como pesadas. Achava pior a questão da menina explorada pela avó”, afirma a psicóloga Alice Rückert.
Para um dos membros do Narcóticos Anônimos, a questão deve ser mais abrangente e ir além do crack: “Para um adicto (viciado), a dificuldade de viver é tão grande, é uma luta diária e não é só um tipo de droga. Fazemos um trabalho de ajuda mútua, escutamos experiências e aprendemos com elas”.
Danilo está internado em uma clínica particular, mas esta não é a realidade da maioria da população brasileira e o problema do crack, já é um caso grave de saúde pública. “Estamos despreparados por falta de recursos e também pela falta de profissionais capacitados. O tratamento do crack é diferente em relação a outras drogas. Sem falar que não há apoio para esses doentes nos hospitais públicos”, alerta o doutor Jairo.
A discussão é grande e cabe a cada um trocar ou não de canal ou simplesmente desligar a TV.
Ator ajuda dependentes
O ator Licurgo Spínola criou uma forma de ajudar os dependentes químicos através do teatro. Há dois anos, ele idealizou a Oficina do Teatro Identidade, mas desde agosto o trabalho se intensificou. O pontapé inicial acontece em Maceió, Alagoas. “Fui convidado pela Secretaria de Promoção da Paz — a primeira do Brasil — para fazer esse trabalho com viciados em crack. E tem dado muito certo, com resultados surpreendentes. Até agora foram 60 dependentes, sendo 20 em cada clínica, de idades entre 14 e 25 anos”, conta o ator.
A oficina tem duração de sete dias e no último acontece a encenação. “Faço um trabalho terapêutico em seis dias. Ajuda os rapazes a recuperar a autoestima, a dignidade e a recolocarem o corpo e a cabeça no lugar. Ao final das apresentações em escolas, ou locais onde somos convidados, eles dão autógrafos, tiram fotos, isso ajuda muito no tratamento”. O ingresso para assistir à peça é 1 kg de alimento que é revertido para as clínicas, com as quais Licurgo trabalhou. O objetivo agora é levar o projeto para todo o País. “O tratamento é eterno, mas esses meninos saem renovados”.
“NÃO DÁ PARA ‘MAQUIAR’ UM VÍCIO”
5 MINUTOS COM: SILVIO DE ABREU AUTOR DE ‘PASSIONE’
Silvio de Abreu conta como foi escrever as dramáticas cenas da volta de Danilo em ‘Passione’. Com o auxílio de pesquisa, o novelista mergulhou no mundo dos viciados em crack para criar cenas próximas da realidade.
Qual a sua avaliação sobre as cenas da volta do Danilo?
— Acho que as cenas não poderiam estar mais próximas à realidade. O Danilo está sujo, largado, completamente entregue às drogas. A caracterização do Cauã foi perfeita. O ‘Profissão Repórter’ mostrou de uma maneira muito sensível como é o mundo na Cracolândia, como vivem aquelas pessoas que não conseguem se libertar do vício, que passam meses lá sem voltar para casa e são procuradas por familiares e amigos. Dá pra ver perfeitamente o Danilo ali. As cenas estão muito reais, muito perto daquilo tudo. O telespectador vai ter uma noção bastante aproximada do que o crack é capaz de fazer com uma pessoa.
Você recebeu algum direcionamento, ajuda de um profissional, para escrever este tipo de cena?
— Fiz pesquisa. Para escrever cenas de um tema tão real como as drogas, não dá para tirar tudo da própria cabeça. Tinha e continuo tendo uma preocupação muito grande em tratar desse assunto de uma maneira muito real, muito humanizada. O Danilo está entregue às drogas mesmo, a família dele está sofrendo mesmo. Eu queria que as cenas se aproximassem de quem sofre direta e indiretamente com o vício.
Você achou a cena do Danilo pesada?
— O que é pesado é o tema. O mundo das drogas não é algo que se aborde de maneira fácil. Se estamos tratando de drogas na novela, temos que tentar aproximar o telespectador desse mundo para que ele se convença de que aquele personagem realmente está passando por tudo aquilo. Apesar de ser uma ficção, há muitas coisas em uma novela que fazem parte da vida do telespectador e a droga é uma delas. Não dá para querer “maquiar” um vício que destrói com a vida de muita gente.
Você acredita que abordando este problema, consegue dar um cunho social a trama?
— Claro que sim. Quantas pessoas não passam pelo mesmo, não se entregam ao crack, não somem de casa, não recebem apoio da família e se internam para recuperar-se? Quantas pessoas não estão envolvidas nisso direta e indiretamente? Quantos telespectadores não vão se identificar com o problema do Danilo de alguma maneira? O que pretendemos passar é que a recuperação é lenta e dolorosa, mas que é possível, com o apoio da família e de amigos.
Fonte: O Dia
Blogueiro
Sou da área de saúde e posso afirmar que drogas, como o nome diz, é uma droga. Há defensores que desejam descriminalizar o porte de certa quantidade de droga. Justificam, mas não convence quem sabe da realidade. Os defensores deveriam dizer que um dependente químico ou drogas sente dor durante ato operatório; o organismo está tão viciado que a dosagem que o anestesista aplica já não surte efeito – o cara berra na mesa operatória.