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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Brasil terá mais emissões de carbono e menos competitividade internacional com atual modelo de transportes

Emissões no setor podem aumentar cerca de 100%, aponta o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getú

Transportes: Brasil terá mais emissões de carbono e menos competitividade internacional com atual modelo de transportes

Emissões no setor podem aumentar cerca de 100%, aponta o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getúlio Vargas

O Brasil precisa estabelecer imediatamente uma grande parceria público-privada de comprometimento de investimentos para a diversificação dos diferentes modais de transportes – com intensificação do uso ferroviário e aquaviário – e suas integrações. A manutenção da aposta no modal rodoviário de carga coloca em xeque a competitividade brasileira, pois embute custos de ineficiência energética no transporte e logística de seus produtos, assim como amplia a intensidade carbônica no abastecimento e distribuição da produção, inibindo o acesso a mercados cada vez mais competitivos e exigentes em padrões ambientais.

Este é o desafio proposto para o setor de transportes no documento “Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil”, elaborado pela plataforma Empresas pelo Clima, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), e que será entregue à presidente eleita Dilma Rousseff. O documento será apresentado no workshop “Caminhos Empresariais para uma Economia de Baixo Carbono”, dia 9 de novembro, em São Paulo.

O transporte urbano de passageiros, no Brasil, está concentrado no uso do automóvel particular (43%) e do ônibus (50%), se for considerado o número de passageiros-quilômetros transportados, enquanto o transporte sobre trilhos representa somente 7%. De acordo com o estudo elaborado pelo GVces, caso a manutenção do cenário atual – com foco no transporte rodoviário regional de carga e transporte individual de passageiros – persista, as emissões de carbono do setor devem aumentar cerca de 100%.

“Com o investimento em políticas públicas de transportes menos emissores, como, por exemplo, na integração intermodal, há ganhos evidentes para as empresas brasileiras, com a diminuição do custo total do frete, aumentando a competitividade da indústria nacional”, ressaltou Luiz Pires, coordenador do programa Empresas pelo Clima.

O estudo ainda mostra que a ampliação do uso de biocombustíveis e de combustíveis alternativos — eletricidade e hidrogênio — na matriz energética do transporte brasileiro possibilitará tanto menor consumo de combustíveis fósseis quanto redução das emissões de gases de efeito estufa.

Mudanças urgentes

Apesar das vantagens ambientais e econômicas de um modelo intermodal diversificado, o estudo da FGV informa que, segundo pesquisa realizada com vinte setores produtivos, as mudanças no transporte de carga ainda não foram adotadas em função das seguintes barreiras no uso ferroviário: indisponibilidade de rotas (65%), redução na flexibilidade das operações (58%), baixa velocidade (50%), custos (48%) e indisponibilidade de vagões (34%). Para melhorar as condições de vias e superar todos os gargalos do setor, seriam necessários quase R$ 22 bilhões.

O estudo, elaborado com a participação de especialistas e empresários, destaca também que o Brasil utiliza mal o potencial de que dispõe para o transporte aquaviário – tanto o fluvial quanto o de cabotagem (que apresenta um dos menores custos operacionais por tonelada-quilômetro), além de ser prejudicado por incentivos ao transporte individual de passageiros em centros urbanos.

Diante deste quadro, o estudo sugere: adequação de toda a infraestrutura da malha ferroviária atual, o que levará ao aumento da velocidade dos trens, da flexibilidade e do número de linhas disponíveis e ao reconhecimento da importância da modalidade; adoção de rígida política de construção de eclusas nas barragens das hidrelétricas existentes e da obrigatoriedade da implantação nas novas, assim como da criação de canais navegáveis; construção de terminais de conexão e transbordo, além de áreas de estocagem de produtos. O maior desafio, também aponta o estudo, é investir na infraestrutura de modais de transporte urbano coletivo que apresentem menor emissão de gases de efeito estufa, como trem e metrô.

E conclui que a integração multimodal poderá proporcionar redução de custo de frete e, consequentemente, aumento da competitividade empresarial brasileira. “A aposta no modal rodoviário de carga coloca em cheque a competitividade brasileira, uma vez que embute custos de ineficiência energética — portanto, ineficiência econômica — no transporte e logística de seus produtos, assim como implica na incorporação de ‘intensidade carbônica’ no abastecimento e distribuição da produção, com potencial restrição de acesso a mercados cada vez mais competitivos e exigentes em padrões ambientais”, acrescentou Mário Monzoni, coordenador do GVces.

Fonte: Segs

Blogueiro

Quem estuda ou já estudou sabe que o Brasil é uma país que investiu muitíssimo na malha viária terrestre e pouquíssimo nas  aeroviárias e hidroviárias. Enquanto outros países exploravam os seus e os rios para escoar riquezas e, assim, ganharem mais com a otimização, o Brasil desandou. Os altos custos de transportes por caminhões é um verdadeiro conjunto de lições de que o errado ainda é perpetuado.  As linhas ferroviárias são meios econômicos rápidos que trazem dividendos ao país.

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