Pesquisar este blog

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tropa de elite 2: o inimigo está no comportamento de cada cidadão.

Assisti e adorei. A segunda versão do filme trata de questões que afligem realmente a nação brasileira: corrupção no mais alto escalão ou Congresso Nacional.

A primeira versão tratou sobre o “sistema” dentro das corporações das policias militares, o preparo do “caveira” antes de ir às ruas. Na época causou aplausos devido ao combate ao tráfico de forma violenta pelos “caveiras” que não perdoavam a bandidagem.

A segunda versão além de tratar dos traficantes de drogas, da corrupção na corporação da policia militar, penetra na realidade que permite que os traficantes, bandidos e os mais variados tipos de corruptos ajam impunemente. São os políticos que permitem o caos brasileiro.

O voto é conseguido por magistral controle de opinião pública por fatos distorcidos das verdadeiras intenções políticas, ou seria pessoal e não pela nação?

Na Secretaria de Segurança Pública, então coronel, o ex-capitão Nascimento vê que o sistema é mais poderoso que ele imaginava considerando ali a sede do sistema.

Os defensores dos direitos humanos também têm participação ativa no filme mostrando sobre a visão que possuem os defensores de bandidos. Por um lado os argumentos dos defensores dos direitos humanos têm validade diante de um Brasil preconceituoso, ou seja, a elite preconceituosa que deseja acabar com os “menos favorecidos”.

A realidade do setor carcerário no Brasil é sub-humana e também uma universidade de criminosos. Por um lado as condições carcerárias são precárias, por outro favorece ainda mais o controle e poderia dos traficantes. O que deveria ser uma reabilitação de presos passou a ser “quartel general” dos traficantes. Políticos corruptos se aproveitam disso para conseguirem voto uma vez que a sociedade fica apavorada e pede ajuda seja lá qual for.

Não defendo bandido, mas temos que ser realistas quanto às condições sociopolíticas de nosso país. Negros ainda são discriminados, mulheres ainda são vistas como sexo frágil e burras – é só ver os salários, por exemplo.

Outro ponto que notei é que Nascimento fala em favela e não comunidade. Por quê? Preconceito diante dos moradores? Não. Deram um nome chique para os moradores não se sentirem inferiorizados. Os próprios sociólogos aplaudiram a iniciativa. A realidade é que pincelou o nome favela – designação de pessoas sem educação, analfabetas, negras, STATUS inferior – para comunidade – para estrangeiros passearem e verem o quanto o Brasil é um país de desiguais.

Milícias. Outro enfoque importantíssimo. O “sistema” de policiais e políticos corruptos em esquema para faturarem juntos. Os primeiros, dinheiro com a exploração do “gatonet” – TV a cabo ou por assinatura; o engraçado é escutar de Nascimento “favelado adora TV a cabo” -; os políticos ganhando popularidade com a aparente “tranquilidade” nas “comunidades”. Vê-se claramente que a corrupção não é e nem pode ser unilateral, ou seja, somente dos policiais. A verdade é que a desmoralização das virtudes acarreta ambas as partes e a maior delas: agentes políticos.

”Cuidado com o líder que rufa os tambores da guerra para urgir os cidadãos em fervor patriótico, pois o patriotismo é realmente uma espada de dois gumes. Ele tanto encoraja o sangue, como também encolhe a mente. E quando os tambores da guerra alcançam uma tensão e o sangue ferve com ódio e a mente se fecha, o líder não terá necessidade de assumir as obrigações de cidadão, que infundidos com medo e cegados pelo patriotismo, oferecerão todos os seus direitos para o líder com satisfação. Como vou saber? Por isso, já basta. E eu sou Julio César”. [Julius César]

A frase acima demonstra claramente que o caos favorece muitíssimo manipulações. Na linha de pensamento o filme retratou muitíssimo bem está questão quanto à desordem social e os “salvadores” da população.

Nada mudará se não houver o básico e primordial: educação. Se alguém realmente deseja conhecer as intenções de um político cobre educação. No RJ foram criados CIEPs - Centros Integrados de Educação Pública - de autoria do antropólogo Darcy Ribeiro e gestão de Leonel Brizola. Na época, várias denúncias de superfaturamento, beneficiar parentes etc. Tudo bem deve ser punido. Contudo os demais governos posteriores não deram continuidade ao projeto em si. O horário das aulas estendia-se das 8 às 17 horas, oferecendo, além do currículo regular, atividades culturais, estudos dirigidos e educação física. Os CIEPs forneciam refeições completas a seus alunos, além de atendimento médico e odontológico. A capacidade média de cada unidade era para mil alunos.  Do período integral afastavam os jovens da marginalidade. Mas por outro lado os sub-humanos favelados aprenderiam e poderiam ser empecilhos aos políticos corruptos. Daí se deu o desmantelamento dos CIEPs – e de muitas escolas sem aval de Brizola. Não sou partidário dele, mas foi o único que proporcionou ensino integral.

O que desejo dizer é que a educação tira as pessoas da ignorância. Com o conhecimento em mãos podem atuar em prol dos direitos que possuem e exigir corretas atitudes dos representantes do povo. Mas não é assim que querem os que desejam manipular o povo. Sem educação não conhecem as leis e não podem agir adequadamente. Um bom exemplo é quanto à abordagem de policiais – os que não representam verdadeiramente a honra da corporação. Abordam de forma inadequada, fazem chantagens para conseguir dinheiro para liberar o infrator, e até quem não é, mas desconhece as leis. Primeiramente policia e delegado não condenam, mas apuram os fatos e levam ao promotor. Este levará ao juiz as provas fundadas e mesmo assim cabe somente ao juiz condenar ou não. Mas o que fazem os policiais ou delegados? Colocam medo, apavoram. Dinheiro na mão.

Muitos dos atuais políticos fazem descaso com a educação. A maioria prefere investir em estradas, comida a um real, construção de estádios de futebol. No livro A Arte da Guerra tem um pensamento interessante que é atacar o inimigo quando este está empanturrado de comida e álcool, pois, assim, ficam indolentes demasiadamente.

E assim achem os corruptos, os maléficos – comitivas com samba, pagode. Aliás, estes devem ter nas cabeceiras os livros A Arte da Guerra e Maquiavel.

Senhores e senhoras, brasileiros. Uma nação que se preze e deseja ordem e progresso terá como pilar a educação. Nas nações desenvolvidas não só tecnologicamente, mas aos princípios quanto às virtudes e conhecimentos das leis que regem os respectivos países, se vê o quanto de prosperidade se tem. Não há claro, perfeição, mas atuação do povo contra os malfeitores servidores públicos de qualquer classe. E estes, quando idôneos, agem em prol do equilíbrio, paz, harmonia e felicidade do povo.

Sem educação e sem esporte, que também é o caos no Brasil, não se pode falar em melhorias. Claro que a situação vigente pede atitudes drásticas diante do caos no Rio de Janeiro, contudo são paliativas. Quando há ignorância há manipulação mais fácil. O cidadão que é ignorante quanto aos princípios de ser cidadão participativo no combate à corrupção age de forma descabida. Age pelo momento de ter vantagem, não pensando no futuro de si, das demais pessoas e dos próprios parentes.

Vive-se o momento, e também se morre pelo momento. A cada governo novos objetivos, alguns seguem de outros governos enquanto outros abolem por puro pensar egoístico e ser melhor do que foi o anterior deixando o povo em segundo lugar. Na verdade projetos anteriores que poderiam melhorar a condição do povo são arquivados por puro interesse pessoal do eleito numa demonstração de descaso com o povo.

Gastam-se milhões de reis em construções, depois se perdem milhões de reis pelo descaso do governo posterior. O que foi construído se deteriora.

Essa é a realidade que mata.

Mas não pensem que apenas os servidores públicos (administrativos e políticos) são os culpados, não. Instalou-se uma mentalidade cruel, aproveitadora, corrupta na nação brasileira em todos os locais deste país. O “sistema” não está no Congresso Nacional, mas no coração de muitos brasileiros. As eleições passaram a ser cabide de empregos. São cidadãos que perderam dinheiro com pensão alimentícia, com falência de negócios, que querem ganhar mais dinheiro de forma “honesta” ou nos “trâmites da lei”. Usam de sentimentalismo usando parentes, amigos, pessoas da comunidade, palhaçadas circenses. É a festa da festa. No fundo nada há de pensar no povo. Quem não conhece algum político que em época de eleição fez festa em ruas com tudo pago e depois de eleito some do bairro e não faz nada? Não votem mais. Quem fez a primeira fará na segunda.

“Roubo, mas fez algo”. Assim procedeu? Não vote porque o que roubou dos cofres públicos fará falta. Imagine enchendo uma caixa de água. Mil litros são despejados de cinco em cinco minutos, mas quinhentos litros são desperdiçados no mesmo tempo. Pode parecer pouco, mas causará desgaste da bomba pelo excesso de trabalho – e a fonte bode secar.

Comparativamente a cada dinheiro roubado por políticos corruptos o brasileiro tem que trabalhar mais para cobrir os rombos do governo: mais impostos. Por que você, leitor, acha que o Brasil possui tanta carga tributária? Para cobrir os rombos orçamentários ou o dinheiro que os corruptos furtam dos cofres públicos – que são dinheiros de nossos trabalhos e arrecadados através de impostos.

A finalidade dos impostos é melhorar as condições do povo seja na saúde, segurança pública, rede de esgoto, construções de estabelecimentos de ensino etc.

Tropa de Elite 2 é um alerta para a população e o povo brasileiro. Para quem se decepcionou com as cenas de tiros como ocorridos na primeira versão basta meus pêsames diante da falta de discernimento diante da ideia central do filme: alertar sobre a corrupção. Para os insatisfeitos restam às dolorosas lágrimas diante do caos na saúde e segurança públicas.

ACESSE OS LIVROS DIGITAIS DE TRÂNSITO ESCOLA NO AMAZON

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Cópia e distribuição, sem fins lucrativos. Permissões, além do escopo desta licença — Creative Commods —, podem estar disponíveis em: http://transitoescola.blogspot.com.br/ A cópia — de qualquer vídeo aula, simulados e textos produzidos por Trânsito Escola — é permitida, desde de que cite este site / blog (colocar URL completo do texto ou 'postagem'). A não ser de fontes replicadas, que podem ser modificadas, comercializadas, de acordo com suas respectivas licenças.