NOVA YORK, BRASÍLIA e RIO - Enquanto o Brasil não conta com uma política de renovação de carros, embora o governo reconheça a importância de se adotar medidas para lidar com o envelhecimento da frota, os EUA, donos da maior frota do mundo (mais de 250 milhões de veículos), fazem um esforço de troca, em meio à crise econômica e a novas exigências ambientais e de segurança.
Cerca de US$ 3 bilhões foram gastos em um programa do governo Obama que dava ao consumidor ajuda de até US$ 4.500 na hora de trocar um carro velho por um novo. Em 2009, os americanos se desfizeram de 14 milhões de carros, que foram substituídos por dez milhões de veículos. O programa também visa a estimular a substituição dos modelos antigos por outros de tecnologia mais moderna, mais verde, reduzindo a emissão de gases poluentes.
No Brasil, mesmo com o fortalecimento do apelo mundial pela preservação do meio ambiente, o tema não avança. Segundo técnicos do governo envolvidos no assunto, a questão é complicada, pois implica conceder incentivos fiscais que permitiriam ao setor público bancar pelo menos um terço do valor do carro. Com o apoio do Ministério do Desenvolvimento, as montadoras pedem a redução de tributos como o IPI para carros novos. O próprio ministro Miguel Jorge já declarou publicamente, várias vezes, que considera um absurdo o IPI sobre automóveis antigos ser menor do que para modelos recentes.
O Ministério do Meio Ambiente também considera a troca benéfica, devido ao menor nível de poluição. Os técnicos dos dois ministérios e outros órgãos federais avaliam que é preciso investir em combustíveis renováveis, como o biodiesel e o etanol, ou em veículos movidos a eletricidade. Todos também concordam com a necessidade de se dar prioridade à segurança no trânsito.
- Não há nada a esse respeito sobre a mesa neste momento. O que está havendo é uma substituição automática, natural, causada pelo envelhecimento dos veículos e o aumento da renda da população brasileira - disse uma fonte da área ambiental.
A criação de um programa nacional de renovação da frota esbarra ainda no fato de que não se sabe qual é o tratamento a ser dado aos veículos fora de uso. O descarte é outro tema polêmico. Segundo Antônio Carlos Bento, coordenador do Grupo de Manutenção Automotiva, não há uma política de desmonte:
- O indicado é procurar o mecânico de confiança, que pode indicar um local apropriado. Os óleos residuais, por exemplo, não podem ser armazenados em qualquer local, pois agridem o meio ambiente.
Fonte: O globo
