Segundo estatística do IBGE, a cada 100 mil habitantes, 32,7 pessoas morrem no trânsito em SC
Em Santa Catarina é mais fácil morrer no trânsito do que assassinado. A constatação se baseia nos dados dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, a cada grupo de 100 mil habitantes, 32,7 pessoas sofreram acidentes relacionados ao transporte, enquanto 29,5 pessoas foram vítimas de homicídio. O Estado ocupa a segunda posição no ranking nacional, abaixo apenas de Roraima, com 33,7 mortos.
Com 35 mil mortes em 2007, o Brasil ocupa a quinta posição nos números absolutos de mortes no trânsito, perdendo apenas para Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Não é exagero, portanto, incluir o trânsito entre as questões prioritárias de saúde pública.
As ruas e rodovias são ambientes onde os motoristas se encontram a todo instante e, por esse motivo, o índice é alto. "Há um grande número convivendo e se sujeitando aos riscos. Basta ver o que acontece nos feriados", analisa Marcelo Araújo, presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Apesar dos números assustadores, é preciso fazer uma ressalva: entre 1992 e 2007, o índice de mortes no trânsito saltos de 18,3 para 20,3 a cada 100 mil habitantes - crescimento de 11%. Enquanto só em Santa Catarina a frota de veículos subiu muito mais em um curto período de tempo. Esse cenário se repete em todo o Brasil.
Causas
Entre os especialistas, o mau comportamento é apontado como responsável pelas ocorrências e consequentes óbitos, sobretudo de pedestres. Indicar, no entanto, os motivos que levam os motoristas e transeuntes a desrespeitar as leis não é tão simples.
Não são os carros ou as estradas os responsáveis pelos acidentes: nove em cada dez atropelamentos ou colisões são causados por erros dos motoristas, sendo as estatísticas do Detran.
Segundo a psicóloga especialista em trânsito, Adriane Picchetto Machado, estudos psicológicos mostram que, quando se sentem em perigo, as pessoas se descuidam e esquecem de dar atenção à própria segurança. Outros dois fatores que favorecem o cometimento de infrações são o anonimato dos motoristas e a relação de poder dele com a máquina. "É como se o condutor tivesse no trânsito a possibilidade de cometer erros sem se revelar, ainda mais com vidros escuros", diz.
Fiscalização
A solução, então, para os problemas vividos no trânsito passa, necessariamente, pela educação do motorista, o que acontece com conscientização e fiscalização. As câmeras e radares no trânsito evitam ocorrências, por exemplo. "Quanto mais vigilância, mais as pessoas são forçadas a andar no limite", diz o engenheiro elétrico especialista em trânsito, José Mário de Andrade.
Para educar desde cedo, há quem defenda a inclusão da disciplina sobre trânsito no currículo escolar. Conforme o Denatran, o Ministério da Educação trata o trânsito como tema universal e não disciplina obrigatória. Por isso, fica a critério das escolas decidirem se tratam do assunto, seguindo normas estabelecidas pelo Contran.
Ranking nacional
Santa Catarina ocupa a segunda colocação no número de mortes no trânsito, segundo estudo do IBGE. O mau comportamento é apontado como responsável pela maior parte dos acidentes.
