As armas de fogo ocupam o terceiro lugar entre as principais causas de morte, atrás apenas dos acidentes de trânsito e doenças cardíacas. Mas entre os jovens são a primeira causa de mortalidade.
O Governo brasileiro vai realizar uma nova campanha para diminuir o número de armas em circulação no país, numa estratégia para reduzir os homicídios, anunciou hoje o ministro da Justiça.
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Luiz Paulo Barreto disse que a população brasileira será estimulada a entregar as suas armas de fogo, em troca de uma quantia em dinheiro como indemnização, numa ação semelhante já realizada nos últimos anos.
“A pessoa pode procurar a Polícia Federal e retirar uma guia, que deve ser preenchida e entregue junto com a arma. A partir daí, será recebida a indemnização devida”, disse o ministro.
Estimativas oficiais indicam que entre um a dois milhões de armas de fogo estão nas mãos da população brasileira.
“A posse dessas armas não garante segurança, pelo contrário, causa acidentes, crimes passionais. O ideal é que as pessoas as devolvam”, defendeu Barreto.
Entre 2003 e 2009, o Governo brasileiro realizou duas campanhas de desarmamento, que teriam contribuído para diminuir em 11 por cento a taxa de homicídios.
Nessas duas últimas campanhas, cerca de 1,1 milhão de armas foram registadas no país e mais de 500.000 foram entregues voluntariamente ao poder público.
“A entrega voluntária isenta qualquer crime pelo porte ilegal da arma. A pessoa não precisa ficar preocupada. A não ser que a arma tenha sido efetivamente usada em algum crime, mas mesmo assim será apurada em que circunstância”, disse o ministro.
A campanha incluiu igualmente a realização de um referendo, em outubro de 2005, para proibir o comércio de armas de fogo e munições, mas a manutenção da comercialização obteve a maioria dos votos.
Dados oficiais indicam que as armas de fogo matam anualmente 30.000 brasileiros, nomeadamente pobres e negros entre os 15 e os 24 anos.
As mortes por armas de fogo no Brasil, na última década, superaram as da Guerra do Golfo ou do conflito israelo-palestiniano, segundo estudo da ONU.
Fonte: Destak
