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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Policiais: a nobreza e decadência da instituição

imageApesar de tudo ainda há bons policias 

Lembro-me quando criança e adolescente que os policias eram educados, defendiam a população e esta respeitavam. Pouco se via ou ouvia “policial preso por cobrar propina…”


Perigo constante, corrupção, desvalorização profissional, bravura, defesa do cidadão. Alguns itens da realidade das corporações policiais. Sabemos muitíssimo bem que há uma crise dentro das principais corporações policiais. O policial tem o dever de proteger o cidadão brasileiro. Deve seguir o que a lei manda e não o que deseja, pois é agente administrativo. A preparação e ingresso são exaustivos: preparação física, horas de estudos para ser aprovado na prova da instituição. Depois de ingressado tem seis meses para aprender a atirar, dominar as emoções, aprender sobre as leis do país e da própria corporação, ética, relacionamento humano.

O ritmo é frenético nesses seis meses. Depois são alojados em localidades distintas de onde moram. Nas ruas devem enfrentar o poder paralelo dos traficantes cujas armas superam das forças armadas. Os salários são os piores do mundo e as armas obsoletas – algumas falham na hora do tiro. Não é uma justificativa para ingressar na criminalidade, mas as tentações a estes profissionais são maiores. A facilidade de dinheiro que circula e a Lei de Gerson é uma pressão constante. A própria cultura brasileira corrompe o policial, pois não há corrupto se não houver corruptor.

Quantos condutores de veículos automotivos estão irregulares e querem pagar propinas aos policiais para se livrarem? Não se pode afirmar que os policiais são inteiramente culpados. Se o povo brasileiro quisesse acabar de vez com os policiais corruptos conduziriam os veículos com habilitação dentro da validade, documentos do veículo em dia. Mas não. Preferem andar na ilegalidade. As desculpas são várias: “muitos fazem, logo eu também tenho o ‘direito’ de fazer”.

Os poucos policiais honrados se deparam com policiais (superiores ou não) corruptos e condutores também corruptos. “Ah! Policial pegue meu celular e fale aqui com fulano (superior ou politico) para me liberar desta multa”. É assim. Não adianta dizer que é mentira. A corrupção é cultural. São poucos que não são corruptos, mas o “sistema” força as pessoas a serem corruptas. EUA, Inglaterra, França, China, Japão: tente ser corrupto lá. Até existe corrupção, mas a diferença é que se combate e se pune. Aqui no Brasil os corruptos riem para os jornalistas e o povo brasileiro – e até para o mundo todo.

O que levou a decadência das instituições militares não foi somente alguns integrantes destas instituições, mas a colaboração de muitos brasileiros. Quando acabará isso? Somente quando cada cidadão colocar na mente que ser corrupto é ter uma arma apontada para a própria cabeça constantemente e de familiares, amigos.
A corrupção no Brasil abocanha milhões de reais anualmente. É visível, é só olhar como anda a segurança pública, a saúde pública, as instituições de ensino público, a politica em si.

Corrupção favorece à criminalidade e impunidade. Condutor que age com meios corruptos para se livrar da multa pagando ao policial favorece, mais tarde, que tal policial venda armas para os traficantes, não age como deveria agir quanto à defesa do cidadão. Policial que libera condutor irregular mediante recebimento de dinheiro favorece que tal cidadão venha a portar arma sem registro e, mais tarde, a ser um possível matador de policiais. Ação e reação.

Não estou manchando ou denegrindo a imagem do bom policial, pelo contrário, temos que aplaudir e aceitar a multa de trânsito quando devidamente aplicada. Ele, o policial, está agindo dentro da lei, e lei representa uma forma de direcionar o povo para a saúde física e mental. A lei escrita assim é; o que está errado é o comportamento do povo brasileiro.

Aos nobres policiais ilibados presto a minha homenagem. Que Deus os protejam diante da dura tarefa de proteger os cidadãos  mesmo diante de uma sociedade corrupta - não todos, mas a maioria.

Leia também A Dura realidade dos Caminhoneiros da série Profissionais.
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