Com o argumento de que motoristas aprendizes têm papel definitivo no caos do trânsito em Salvador, o vereador Alberto Braga (PSC), vice-presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais da Câmara, propôs, nesta quarta-feira (11), um projeto de lei para impedir a realização de aulas práticas de direção nos horários de trânsito intenso, ao menos temporariamente, nas principais vias da cidade. As principais afetadas pela sugestão, no entanto, as autoescolas, é claro que não veem com bons olhos o desejo do legislador. Em entrevista ao Bahia Notícias, a gerente do curso Veja, localizado no bairro de Brotas, Egidalva Oliveira, definiu a proposição como “inviável”, ao alegar que a maioria dos estudantes só tem o fim da tarde e início da noite disponíveis para realização das aulas.
“Não tenho dúvidas de que seria um desagrado à população e, além disso, há a obrigatoriedade de que 20% da grade seja apresentada à noite”, explicou, ao reconhecer, porém, que o fluxo intenso de veículos nas principais avenidas da capital é prejudicial ao rendimento dos pretensos condutores durante os ensinamentos.
“O trânsito prejudica mais as aulas do que o contrário. O aluno, às vezes, fica 50 minutos parado no congestionamento e acaba não tendo um bom rendimento. Só quem ganha são as escolas”, opinou.
A gerente da autoescola Reis, no Iguatemi, entretanto, discorda. Segundo ela, o problema do trânsito não tem relação alguma com os cursos de direção. “As aulas práticas são iniciadas em locais mais reservados. Os alunos só enfrentam trânsito quando já estão preparados para não prejudicar o fluxo de carros. A proposta do vereador não vai resolver nada. Até porque, uma hora, de qualquer forma, o estudante terá que passar pela experiência de congestionamento”, alegou.
