Após reprovar por várias vezes na prova prática de direção no Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Rosemeire da Silva Moreira aceitou pagar R$ 1.700,00 para seu instrutor da autoescola “dar um jeito” para passá-la.
Para isso, Vanilda Gama Rodrigues foi contratada por R$ 400 para fazer a prova prática no lugar de Rosemeire e foi descoberta por policiais civis, que atuam dentro do Detran e já investigavam uma suposta quadrilha que atua neste ramo.
Segundo o delegado Valmi Messias de Moura Fé, responsável pela Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações), o crime foi descoberto após Vanilda fazer a prova da baliza e partir para a prova do percurso.
“A Rosemeire chegou a fazer a prova escrita e psicológica, aí para a prática aceitou a sugestão do instrutor de passar sem precisar fazer a prova. Ela alegou que não sabia como ele iria dar esse jeito e só foi descobrir depois que a farsante Vanilda foi presa em flagrante e confessou o crime”, afirmou Moura Fé.
A autoescola Globo, do bairro Coronel Antonino, na qual trabalhava o instrutor Francisco Osmildo Bezerra, que ofereceu o esquema, também foi autuada. “Porém Francisco disse que agiu sozinho e que a autoescola não sabia de nada. Ele contou com a ajuda do Roberto de Oliveira Souza, que achou a Vanilda e fez o intermédio”.
Os três foram presos na Defaz e deverão ser transferidos para os presídios ainda nesta quinta-feira (12/09/2013). Rosemeire não está presa, mas vai responder na Justiça junto com os três comparsas por crime de falsidade ideológica, que pode resultar em até três anos de prisão.
“Agora a Polícia Civil vai continuar a investigar o caso e confirmar se outras pessoas conseguiram se passar pelos reais alunos das provas”, concluiu o delegado. Eles também podem responder pelo crime de falsificação de documento oficial.
Trânsito Escola – A notícia serve de alerta e reflexão. As fraudes costumeiras, nos processos de habilitação, não tem um culpado específico. A corrupção é um mal cultural que tem prejudicado tanto o desenvolvimento econômico quanto a manutenção de civilidade.
Econômico, pois qualquer ato que desvie da finalidade prescrita na lei já onera os cofres públicos. Civilidade, pois numa Democracia, o respeito e a solidariedade são preceitos importantíssimos. Quando se age sob o véu da corrupção cria-se uma mentalidade subversiva perversa aos valores da boa-fé. Quando a boa-fé, preceito nos negócios jurídicos, nas relações comerciais, nos relacionamentos interpessoais, não é colocada em prática há distanciamento e diluição dos valores nobres do ser humano. A empatia dá lugar a apatia, de forma que esta torna o ser gélido nas emoções aos sofrimentos alheios.
Um pequena ação, por menor que seja, como fraudar o processo de habilitação, que venha a perverter às leis, principalmente numa República Democrática, já distorcem às leis e suas finalidade reais, que é o bem de todos. A nação e o Estado, então, passam a ser antros de finalidades centralizadas nas mãos de poucos, como numa oligarquia. Nesse aspecto, o poder fica nas mãos de poucos enquanto muitos se subjugam em troca de favores. O valor da vida universalista é diminuído em detrimento do comportamento egoísmo.
