No RJ há uma histeria coletiva quando se fala sobre a atuação do Estado para conter e prender os traficantes de drogas. Sob o julgo de décadas a base de torturas psicológicas e até físicas os moradores das comunidades carentes viveram.
Antes devemos retornar na história do Brasil e saber o porquê dos traficantes terem conseguido a simpatia, inicial, dos moradores das comunidades carentes.
Governos Militares e origem das organizações criminosas
Foram nos governos militares que surgiram as primeiras facções criminosas. No inicio surgiram com ideais de proteção e ajuda a própria população. Essas ideias nasceram nos presídios daquela época onde presos comuns – maioria negra – eram confinados com presos políticos (aqueles que eram contras os governos militares). Palavras como “união”, “direitos”, “patriotismo” eram ditas pelos presos políticos aos demais presos (negros). De certo que os presos políticos queriam ter mais pessoas do lado deles para combater os governantes militares.
Os presos, não políticos, que cumpriram o tempo de prisão retornaram para suas comunidades carentes (antigamente eram chamadas de favelas por não terem saneamento básico, água canalizada, o que não muda muito da realidade ainda presente, mas por questões de pura indução psicológica aos moradores – para não se sentirem depreciados - os governantes passaram a nomear as favelas como comunidades carentes) e começaram a conquistar as respectivas localidades onde moravam com táticas de guerrilhas aprendidas com os presos políticos doando presentes, atendendo as necessidades dos moradores locais. Graças à ausência do Estado conquistaram prestígio e segurança entre as populações.
O Comando Vermelho (CV) foi um dos primeiros grupos formados com ideologias de ajudarem as pessoas da própria favela, diferentemente da atualidade onde os atuais traficantes de narcotráfico desejam lucro mesmo que a população local sofra as consequências.
Segregação social
As favelas, hoje chamadas de comunidades carentes, cariocas surgiram com apelos de segregação racial onde as classes rica e média queriam se livrar dos “estranhos”, “bizarros”, “diferentes” e “mal educados crioulos” – quanto ao último era comum, antes da Constituição Federal de 1988, o negro ser chamado de ”crioulo” como forma pejorativa de ser humano “inferior”. Assim, nasceram os guetos, locais onde o Poder Público não atuava deixando as populações, negras, sem infraestruturas básicas como água e esgoto encanados, postos de saúde, segurança pública, infraestrutura habitacional. Como exemplo, no Rio de Janeiro, temos Cidades de Deus localizado perto da Barra da Tijuca.
História viva
Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia foi um dos brilhantes filmes a retratar a ausência do Poder Público nos guetos e as ações de servidores administrativos (policiais) em ações de corrupções. Com a trajetória dos fatos descritos acima temos a situação da realidade brasileira em questões de existências de traficantes e agentes públicos (policiais, delegados etc.) corruptos.
Década de 1980: início do terror
Mas foi na década de 1980 que a marginalidade se espalhava pelas ruas do Rio de Janeiro. Eram comuns assaltos em ônibus e arrastões nas praias levando a população carioca ao medo extremo.
Na Baixada Fluminense, grupos de extermínio, contratados por comerciantes locais, matavam os punguistas e qualquer outra pessoa que devesse.
Políticos, atuações e discussões
Leonel Brizola
Um dos mais conturbados episódios cariocas foi quando o ex-governador do RJ, Leonel Brizola, impediu os policiais de fazerem incursões nas favelas cariocas com helicópteros. Para Brizola era uma verdadeira atitude de desrespeito aos moradores das favelas cariocas quando os helicópteros sobrevoavam de forma rasante com policiais sentados e mirando a população. Para alguns a proibição foi uma maneira de fortalecer os marginais.
Antony Garotinho
Acusado de corrupção em seu governo e envolvimento com o ex-chefe de polícia civil, Álvaro Lins, deixou o cargo de governador com imagem péssima. Os índices de violência estavam altíssimos. O RJ nunca viveu tamanha violência urbana na história deste país – não computando os confrontos entre militares e estudantes nos governos militares.
Sérgio Cabral
Atual governador do RJ juntou forças com o governo federal e pôs a força do Estado perseguindo e combatendo o narcotráfico. Muitos dizem que tais reconquistas do Estado nas comunidades carentes tomadas pelos narcotraficantes se devem as olimpíadas e a copa do mundo. Seja como for, as populações locais, antes tomadas pela violência dos narcotraficantes, agora podem transitar sem medo e com dignidade.
Os verdadeiros deturpadores
Por mais que se diga que a vida no Rio de Janeiro está melhorando a partir da retomada do Estado às comunidades carentes dominadas pelos narcotraficantes e, alguns, serem presos, não se pode dizer que a criminalidade irá diminuir.
Apenas se atingiu, por mais poderosos e ricos que sejam os narcotraficantes, as bases da corrupção, o ápice da corrupção, não.
A cadeia corruptiva se estende muito mais aquém dos narcotraficantes. Meros mortais diante do poder do Estado - Dicionário Houaiss: "conjunto das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que controlam e administram uma nação"; "país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado" – existem graças a uma síntese mais profunda e organizada dentro do próprio Estado.
Apesar de o Estado ser apenas uma figura subjetiva é ela direcionada, criada e em estado de mutação por seres humanos. A Constituição Federal são leis esparsas que figuram as ideias de uma nação - grupos de pessoas que têm aspirações, ideais, ideologias.
São as leis as emanações de pensamentos, pois os pensamentos movem pessoas e constroem, modificam o meio. De nada vale a lei e seu espírito quando o espírito dos atos deturbam as leis existentes e criadas. Lei é um processo criativo que envolve situações de tempo e espaço, ou seja, acontecimentos vigentes em cada era humana – a nossa Constituição Federal de 1988 é considerada um pós-militar, isto é, com ideais defendendo os Direitos e Dignidade da Pessoa Humana contra os abusos de autoridades, de pessoas que possuam maior poder monetário aquisitivo, ou que venham a subjugar pessoas pelo uso de armas, força física.
Porém, o que está acontecendo no Brasil é a ação dominadora pelo uso de força, poder político – neste caso, o voto secreto no Congresso Nacional favorece a “absolvição” de culpados mesmo flagrados com dispositivos audiovisuais, por exemplo.
A cada dia se vê que agentes públicos estão transformando o Brasil numa verdadeira arena de deslealdades, maus-tratos, favoritismos, comércio clandestino, violações constitucionais. Não todos, mas é necessário que os agentes políticos da união, dos estados e municípios conjuntamente com a sociedade organizada zeladora da Ordem e do Progresso Nacional venham a combater veementemente os maus gestores administrativos políticos e os agentes administrativos. Maus no sentido de violentar a ordem, a paz, a saúde física e psíquica da nação brasileira.
Não bastam apenas “caras pintadas”, mas ações concretas e cotidianas. A imprensa nacional e internacional, esta, graças à internet que possibilita o cidadão brasileiro entrar em contato com os principais jornais do mundo, têm fundamentalmente importância na manutenção da democracia, dos valores humanos da dignidade, do respeito, da proteção à vida em todas as formas (morfologias) e cores (caucasianos, negros etc.).
Só com a intervenção do povo brasileiro é que o Brasil poderá melhorar!
Traficantes presos. E os comparsas (agentes públicos administrativos e políticos)? de Brasil Progresso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Brasil.
