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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O que será do mundo sem a pirataria?

antipirataira eua 

Depois que os EUA decretaram combate veemente aos sites que pirateiam software, músicas, livros etc. muitos ficaram sem http://www.megaupload.com/ para compartilhar tais uplouds.

Depois de SOPA e PIPA, veio o ACTA, um “SOPA global” (Anti Counterfeiting Trade Act – “Acordo Comercial Antifalsificação”) que poderia dificultar ainda mais a vida de quem compartilha conteúdo na internet.

Mais 22 países da União Europeia assinaram um termo concordando em adotar as medidas contra pirataria na internet. Se por uma lado é bom, por outro é questionável tal controle na internet.

Alguns dizem que favorecerá o controle dos direitos autorais e, consequentemente, poderá aumentar o número de emprego já que com a antipirataria os produtores contratarão mais por terem mais retorno do que com a pirataria de produtos.

Há quem diga que tal controle serve para monitorar os internautas e, assim, acabarem com o direito à liberdade de conhecimento, oportunidades.

 

Pirataria mudou o mundo

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De certa forma a pirataria digital mudou o mundo. Produtos até então caríssimos passaram a ter preços mais acessíveis às pessoas com renda per capta baixa. Sabemos que, infelizmente, muitas politicas socioeconômicas mundiais excluem pessoas e favorecem minorias. O saber, o ato natural do ser humano em descobrir, é impeditivo, ou seja, por questões de má distribuição das riquezas e ausência de infraestrutura governamental, só tem acesso ao saber quem tem dinheiro para pagar mensalidades de cursos profissionalizantes.

Ainda se vê o absurdo de algumas ideologias em que a exclusão de algumas etnias e classes sociais favorece o pleno desenvolvimento da humanidade. Infelizmente a Lei Natural do desenvolvimento humano sobrepõem-se sobre os conceitos distorcidos de alguns humanos. Sim, Francis Galton, e seus adeptos, ainda persistem na teoria dos sangues “bom” e “ruim” e, assim, fomentam exclusões. Pode parecer Teoria da Conspiração, mas ainda há pessoas sectárias e racistas.

 

Softwares

Os softwares lançados no mercado são caríssimos para a maioria das pessoas. Até a pouco tempo ter Windows instalado nos computadores era praticamente inviável devido aos preços exorbitantes. Somente com a pirataria é que o Windows se popularizou e se tornou o que é. Talvez fosse estratégia de Bill Gaten permitir que o Windows você pirateado.

Outros motivos quanto à pirataria digital de software foi quanto à necessidade, de quem estava ingressando no mercado de publicidade em geral, por exemplo, de programas. Com preços inacessíveis a maioria dos profissionais, que ingressavam na carreira como autônomos, era inviável, e ainda é um pouco, comprar softwares que pudessem manipular fotos, criar vídeos e animações em flash. De certo a pirataria permitiu que jovens talentos se destacassem num mundo competitivo e excludente (atesta-se a capacidade de uma pessoa pelo tipo de curso, ou seja, qual a instituição de ensino que se formou e não o analisar o potencial através de testes avaliativos de desempenho, ou dá-se mais valor a quem tem certificado sem, antes, sondar a capacidade que o indivíduo tem mesmo sem curso).

Muitos profissionais surgiram com a pirataria. Pessoas famintas pelo saber, os autodidatas, os que tinham necessidade de trabalhar, mas não tinham dinheiro para frequentar cursos profissionalizantes, começaram a descobrir o funcionamento de tais programas. É fácil comprovar a escassez de mão de obra digital no Brasil. Em qualquer site de emprego se vê “mesmo sem experiência”.

Sim, o mundo mudou com a pirataria. Contudo, do mesmo jeito que proporcionou conhecimento de certos programas, e desenvolver trabalhos como autônomo (posteriormente ingressar como funcionário de empresa – é interessante saber que há muitos técnicos de computação, sem cursos, trabalhando em empresas, principalmente os que trabalham com redes. E há os que prestam manutenção em computadores mesmo sem curso - apostilas sobre manutenção fornecidas por sites com conteúdos piratas), houve a pirataria de entretenimento como músicas, shows, filmes.

 

Músicas, shows, filmes e livros

Foram os mais pirateados no mundo e no Brasil. No Brasil, os preços de shows (teatro, por exemplo), filmes (nos cinemas) e músicas (CD-ROM) são caros a maioria do povo brasileiro – R$ 20,00 (cinema), R$ 50,00 (teatro), R$ 30,00 (CD-ROM) não são caros senão contabilizarmos gastos com alimentação, vestuário, luz, água, IPTU, tarifa de transporte público.

 

A disseminação do saber

Graças à pirataria muitos conseguiram assistir renomadas peças teatrais, ler vários livros sobre diversos segmentos do saber (literatura, profissionalizantes, filósofos). Houve democratização? Sim, com toda certeza. Pode-se dizer que houve duas transformações mundiais que proporcionaram o saber em sua totalidade aos vários segmentos sociais.

A primeira, com invenção da prensa móvel, no século XV, por Johannes Gutenberg, que foi importantíssima para o desenvolvimento da Renascença e a disseminação da aprendizagem em massa. Até então, o saber era restrito aos reis e nobres permitindo a estes o controle total sobre o restante da população, que vivia sob dogmas, tabus e superstições – comportamentos ótimos para se dominar pessoas fanáticas, medrosas e preguiçosas (algumas pessoas preferem não questionar hábitos, costumes, ideologias, filosofias permanecendo na condição que estão por ser mais cômodo - é preciso coragem, determinação e mudanças íntimas para pensar, corrige-se e mudar hábitos; o filme Matrix retrata muitíssimo bem quando mostra pessoas condicionadas a um comportamento e sentem bem na condição por que mudar é necessário sacrifícios pessoais).

A segunda revolução humana, quanto ao saber, foi a internet. Graças à internet, pessoas passaram a pesquisar, num clique e no conforto de seus lares, tudo que queriam. Antes da internet muitas não tinham como pesquisar, ir aos locais físicos, por vários motivos: escassez de dinheiro para passagem; tempo disponível para ir ao local como pesquisar e retornar ao lar; escassez de informações em determinado local; ausência de livrarias públicas e sebos - quanto aos sebos pode-se dizer que graças a eles é que muitos acadêmicos se formaram quando tinham que fazer monografias, por exemplo.

 

O mundo sem pirataria

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O presente artigo não fomenta a pirataria, mas serve para alertar sobre condições medonhas de pensamento político e social dos quais excluem grupos sociais e os mantêm sob domínio condicionante.

Como dito, a pirataria quebrou algemas impeditivas ao saber. Pessoas com menos poder aquisitivo, mas com capacidade e vontade de mudarem as próprias realidades, conseguiram demonstrar as suas limitações, que não eram psíquicas, mas, sim, econômicas, itinerantes.

Com a antipirataria, e senão mudar as ideologias e filosofias socioeconômicas, o mundo novamente será habitat dos mais “capacitados” – os que nasceram em famílias de nome e sobrenome nobres, ou com renda per capta acima dos proletariados – e cerceando os “menos” capacitados – negros, mulheres, moradores de comunidades carentes, brancos sem nomes e sobrenome elitizados.

É preciso permitir acesso de todo e qualquer ser humano a pesquisa, ao estudo, ao desenvolvimento de suas qualidades morais e intelectuais. No Brasil, ainda se teima em manter provas para ingressar nas universidades – por que não reforça o ensino primário para, então, dar bases sólidas de aprendizagem e acabar de vez com a ciranda do ingresso as universidades? Porque tem muita gente ganhando dinheiro com os cursos pré-vestibulares: lobistas, e políticos atrelados aos mandamentos daqueles: benefícios monetários; e o povo que se dane -, se escolhe profissional pela etnia, religião – e não por suas qualidades morais, intelectuais -, pelo sexo ou pela opção sexual. Mas não é “privilegio” do Brasil; é mundial a conduta.

Claro que há pessoas que, mesmo em boa situação socioeconômica, preverem e insiste em transgredir leis autorais, mas, na totalidade da humanidade, há pessoas que preferem pagar - quando há reais condições socioeconômicas justas, equilibradas – pelo que vão adquirir porque sabem que qualquer trabalho, seja intelectual ou não, demanda esforço, tempo, pesquisas e desgastes físico e psíquico.

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