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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sacolas plásticas, meio ambiente e salário mínimo

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Apesar de poluírem o meio ambiente os cidadãos brasileiros usam os sacos plásticos para acondicionar e descartar o lixo doméstico, pois, assim, o cidadão brasileiro não precisa gastar com a compra dos sacos de lixo, o que já reduziria ainda mais o poder aquisitivo do miserável salário mínimo

São cada vez mais frequentes os apelos, não só no Brasil, mas mundialmente, ao término de sacolas plásticas nos supermercados.

Ambientalistas dizem que as sacolas plásticas causam danos ambientais, enchentes. Em alguns países a distribuição de sacolas plásticas pode dar cadeia. No Brasil as autoridades estão criando dispositivos que assegurem, gradualmente, o desestímulo de adquirir sacolas plásticas nos comércios com descontos nas mercadorias.

Dará certo?

No Brasil milhares de famílias usam as sacolas plásticas, adquiridas quando compram produtos nos supermercados, para condicionar, posteriormente, o lixo doméstico. Caso as autoridades proíbam integralmente de os supermercados forneceram sacos plásticos para os clientes transportarem suas compras, como se dará o condicionamento dos lixos domésticos nas calçadas?

Seria estultícia a proibição de os supermercados fornecerem sacolas plásticas se no final o brasileiro tivesse que comprar sacolas plásticas para lixo. Não seria a mesma situação de o brasileiro ter em mãos sacos plásticos? Não estaria poluindo da mesma maneira?

Supermercados e lucros

Por mais que se fale que as sacolas plásticas fornecidas pelos supermercados sejam grátis, na realidade são pagas, ou seja, os custos de fornecimento de sacos plásticos pelos supermercados são embutidos nas mercadorias – acham mesmo que os empresários investem sem querer lucros? E fica uma pergunta:

- Sendo abolido o fornecimento de sacos plásticos pelos supermercados as mercadorias diminuirão de preço?

Preços dos sacos de lixo e salário mínimo brasileiro

Com a proibição de fornecimento de sãos plásticos pelos supermercados, o brasileiro terá que desembolsar dinheiro para comprar sacos de lixo.

Os preços variam conforme a capacidade (litros) e a qualidade dos sacos plásticos – há alguns que são tão finos que se rasgam ao serem levantados demandando colocação de outro saco de lixo dentro de outro saco, o que já configura maiores gastos para o consumidor.

O trabalhador brasileiro não tem dinheiro para suprir as suas necessidades básicas quanto mais ter que comprar sacos de lixo. Analisando mais profundamente são poucos os cidadãos, principalmente os de comunidades carentes, que pagam luz e água e esgoto. É fácil constatar quando se vê, por exemplo, no RJ, pós-reintegração das comunidades pelas UPPs. Muitos dos moradores tinham luz e água sem pagarem nada – protegidos, claro, pelos narcotraficantes.

Num país que até então era considerado “país dos famintos”, mas agora é considerado “país dos subnutridos”, e recentemente “país dos obesos”, pois o brasileiro, infelizmente, não pode, quando trabalha fora de casa, pagar o PF (Prato Feito, que consiste em arroz, feijão, carne e salada) e se sujeita a comer o famoso cardápio diário “refresco mais salgado”, não é de pensar que a compra de sacos de lixo será inviável.

Sacos plásticos (de supermercados) e os biodegradáveis

imageRolo de sacos plásticos biodegradáveis. Alguns chegam a custar R$ 30,00

Os apelos emotivos quanto à proibição de os supermercados darem os sacos plásticos se baseia que estes são poluidores do meio ambiente. Já os que consideram ideal ao uso humano e, consequentemente, benéfico ao meio ambiente são os chamados biodegradáveis - substância suscetível de decomposição por microrganismos. Esses são adquiridos pela comprar em algum estabelecimento que os possui.

A questão é bem simples e menos onerosa ao consumidor: incentivo governamental. Por que os governos federal, estadual e municipal não criam incentivos aos fabricantes de sacos biodegradáveis de forma que a produção seja em larga escala? Incentivo em redução como a redução de impostos (IPTU etc.).

Com tal iniciativa governamental os supermercados e congêneres adquiririam sacos plásticos biodegradáveis e não os onerariam e, por sua vez, os consumidores cujos preços dos alimentos, por exemplo, não ficariam mais caros já que o preço embutido dos sacos plásticos biodegradáveis não seria caro.

A natureza agradeceria e a economia como um todo também. Com certeza caso a proibição de os supermercados fornecerem sacos plásticos para os consumidores seja efetivada terá muitos cidadãos jogando o lixo de qualquer maneira nas valas, rios, encostas e ruas por que pagar por algo que diminuirá ainda mais a qualidade de vida – comprar alimentos, roupas, medicamentos, pagar plano de saúde, tarifas – não será aceito para quem já paga muitos impostos, trabalha exaustivamente e no final não tem qualidade de vida que se espera pelo esforço e pelos impostos pagos.

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