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domingo, 15 de janeiro de 2012

Médico integrava quadrilha que validava CNH para analfabetos

Esquema que habilitava motoristas inaptos é descoberto no Detran de Mato Grosso do Sul

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Acusados são encaminhados ao Garras
Foto: João Carlos Castro/O Estado MS

A operação realizada pela corregedoria de trânsito do Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) na sexta-feira (13) cumpriu 17 dos 20 mandados de prisão contra suspeitos de participarem de um esquema que facilitava o processo de emissão de CNH no Estado.

De acordo com informações da delegada e corregedora do Detran, Aline Lopes, as carteiras de habilitação não eram diretamente vendidas pelos acusados, o que era feito conforme investigação, era uma facilitação na hora da aprovação do candidato. A pessoa negociava com o instrutor (que era quem intermediava a ação) o teste em que precisava ser aprovada e o intermediador dizia quanto iria custar. “Se a pessoa precisasse ser aprovada apenas no exame prático, por exemplo, pagava um valor, se desejasse passar em outro teste, acrescentava-se outro valor, assim por diante” revela.



Em coletiva, Corregedora do Detran Aline Lopes, conta detalhes das investigações
Foto: Deurico/Capital News

Ao todo já estão presas 17 pessoas, entre elas, examinadores, aplicadores das provas da Fapec (terceirizada que aplicava as provas teóricas), médico, instrutores e donos de autoescolas. Os envolvidos que adquiriram a CNH responderão por crime de corrupção ativa, já os que participaram do esquema de facilitação aos crimes de corrupção passiva, falsidade de documentos e formação de quadrilha. Um dos examinadores também responderá por posse ilegal de arma.

Durante a coletiva, quando perguntado sobre quais medidas serão feitas para acabar com situações como essa o Diretor Executivo do Detran/MS, Francisco Liborio Silveira foi enfático: “Já houve outros casos no Detran. Em 2009, por exemplo, houve retirada irregular de veículos do pátio, medidas foram tomadas, nesse caso não será diferente. Os envolvidos serão punidos”, garante.

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Diretor Executivo do Detran/MS Francisco Liborio Silveira
Foto: Deurico/Capital News

As investigações continuam. Dos acusados, 11 são de Campo Grande e os outros nove do interior do estado, dos municípios de Dourados, Douradina, Caarapó e Navirai. Dos que estão presos, nove estão custodiados no Garras e os demais da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos).

Investigação

As investigações começaram a cerca de cinco meses após uma denúncia anônima feita ao Detran. Conforme a delegada, o inquérito seguiu em sigilo absoluto e teve apoio do Departamento de inteligência. Ela relata que nem os próprios policiais sabiam do caso. “Hoje quando foram feitas as prisões, a maior parte dos acusados foram encontrados, os que não foram é porque estavam viajando. O sigilo foi fator primordial para as investigações terem êxito”, acredita.

Durante a coletiva a delegada comentou sobre o fato mais intrigante das investigações, que foi a descoberta do valor pago pela CNH, que variava de R$ 800 a R$ 3 mil. Segundo ela, as autoescolas mais procuradas eram as do interior do Estado, que comparadas com as de Campo Grande, demonstravam maior facilidade na realização dos exames. Durante as investigações foram constatadas que pessoas analfabetas e com problemas oftalmológicos hereditários haviam adquirido CNH. Também  houveram pessoas de outros Estados como do Párana, que também adquiriram a CNH.

Fonte: Renata Santos - Capital News (www.capitalnews.com.br)

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